O que foi lançado a 8 de outubro

A Anthropic lançou a 8 de outubro a Anthropic Cyber Mission com dois programas: o OSS Scanner para projetos de código aberto e o Critical Infrastructure Defense Program para os prestadores que protegem a tecnologia operacional (OT).

O programa de infraestruturas leva modelos Claude, engenheiros no local e investigação de ameaças a prestadores de segurança que protegem redes elétricas, sistemas de água e redes de transporte. Os parceiros fundadores são Accenture, Booz Allen, CrowdStrike, Deloitte, Dragos, Hitachi, Insane Cyber, Nozomi Networks, Palo Alto Networks, PwC e Rockwell Automation, e a Anthropic diz que começará com um grupo pequeno de prestadores.

O OSS Scanner é um serviço voluntário inspirado no OSS-Fuzz da Google. Os projetos inscritos recebem análises de segurança periódicas dos modelos mais fortes da Anthropic sem custo, e o The Verge refere que o Claude Mythos é um deles. Cada relatório inclui uma prova de conceito, uma explicação e uma correção sugerida quando existe.

Relatórios enviados sem uma pessoa no processo

Os relatórios do OSS Scanner são gerados pelo modelo e enviados aos mantenedores sem revisão nem triagem humanas, o que, segundo a Anthropic, os faz chegar mais depressa e significa que alguns estarão errados.

O exemplo de erro da própria Anthropic é uma gravidade mal classificada. Espera mais de 90 por cento de verdadeiros positivos, o que pela sua estimativa deixa menos de um relatório em dez errado, e um mantenedor não pode saber de antemão qual.

A inscrição faz-se por pull request dos mantenedores principais de um projeto, com critérios próximos do OSS-Fuzz da Google: impacto crítico na infraestrutura e na segurança dos utilizadores, exposição a ataques remotos e número de projetos que dependem dele. A Anthropic diz sem rodeios que muitos projetos já estão sobrecarregados com os relatórios que recebem e que o serviço foi pensado para projetos que já acompanham relatórios verificados de vulnerabilidades altas e críticas.

Os achados não validados não desencadeiam um prazo de divulgação de 90 dias, porque a Anthropic não quer obrigar os mantenedores a ler com cuidado achados que ela própria não leu. Um projeto pode pausar os relatórios com uma linha de configuração ou sair, e volta então ao caminho padrão, onde a Anthropic diz ter revisto mais de 6.000 relatórios até outubro de 2026.

Porque corrigir é agora o estrangulamento

O próprio artigo de lançamento da Anthropic diz que nunca foi tão fácil encontrar vulnerabilidades, enquanto verificá-las, priorizá-las e corrigi-las continua a ser difícil.

No Project Glasswing, segundo a Anthropic, passavam muitas vezes meses entre a descoberta de uma vulnerabilidade e a sua correção. Na tecnologia operacional, uma correção pode ter de esperar até poder ser aplicada em segurança a maquinaria em funcionamento, em casos raros durante décadas. A Anthropic prevê que dentro de dois anos a IA favorecerá a defesa, mas diz que a curto prazo pode não ser assim, porque o custo de explorar vulnerabilidades desceu enquanto verificar e corrigir ainda dependem de pessoas.

O The Verge acrescenta a pressão do lado de quem recebe: alguns projetos de código aberto, entre eles Linus Torvalds e a Google, têm dificuldade em acompanhar a súbita avalanche de relatórios de erros gerados por IA. Um scanner gratuito acrescenta relatórios próprios por cada projeto que se inscreve, e é por isso que a Anthropic o limita a projetos com capacidade para o acompanhar.

A Anthropic diz ter financiado as organizações por trás de código aberto muito usado, entre elas a Python Software Foundation, a Alpha-Omega e a OpenSSF através da Linux Foundation, e a Apache Software Foundation, e que um Defender Advantage Fund lançado em agosto mantém o OSS Scanner gratuito.

O que fazer com a sua lista de dependências

Uma empresa que depende de bibliotecas de código aberto não deve ler este lançamento como uma cadeia de abastecimento mais segura, porque o scanner só chega aos projetos que se inscrevem e têm capacidade de triagem.

Pergunte aos fornecedores de código aberto em que mais se apoia se se inscreveram, quem lerá os relatórios e que tempo de resposta pode esperar. Se mantém código aberto, decida antes de se inscrever quem faz a triagem e o que acontece aos relatórios errados. Se apenas o utiliza, reserve tempo de patches ou financie os mantenedores, porque uma descoberta mais rápida aumenta o número de correções que terá de aplicar.

O Cyber Resilience Act da UE fornece o relógio do lado do fabricante. A Comissão Europeia indica 11 de setembro de 2026 como início da obrigação de notificar vulnerabilidades ativamente exploradas, com um alerta precoce em 24 horas após o conhecimento, uma notificação completa em 72 horas e um relatório final no máximo 14 dias depois de estar disponível uma correção. Os stewards de software de código aberto têm obrigações de notificação a partir de 11 de dezembro de 2027 e, pelo regime leve que a lei prevê para eles, não estão sujeitos a coimas administrativas.

Quem opera tecnologia operacional deve perguntar ao seu prestador de segurança se é parceiro fundador do programa, porque o Critical Infrastructure Defense Program leva modelos Claude, engenheiros no local e investigação de ameaças a esses prestadores, e a Anthropic diz que a infraestrutura crítica é difícil de defender de muitas formas que a IA não consegue resolver.