Trinta e seis pessoas, 1,1 mil milhões e o ano que os pagou
A Highland Europe comunicou a 29 de julho ter fechado o seu sexto fundo em 1,1 mil milhões de euros, valor que vários órgãos de comunicação americanos converteram e apresentaram como cerca de 1,25 mil milhões de dólares. A casa trabalha a partir de Londres e de Genebra com uma equipa de trinta e seis pessoas, vinte delas profissionais de investimento. O Fundo VI vai apoiar empresas europeias em fase de crescimento em inteligência artificial, software empresarial, fintech, saúde e tecnologia de consumo.
Sam Brooks, sócio da casa, atribuiu a angariação aos seus subscritores: "We are deeply grateful to our limited partners for their continued trust and commitment to Fund VI. Their support enables us to continue backing Europe's most ambitious founders." A par do fecho, a Highland promoveu Helena Richardson e Jacob Bernstein a sócios.
A frase que importa está por baixo do número do título. O fundo surge depois de um ano em que a Highland gerou mais de mil milhões de euros de liquidez. Desde 2012 angariou 3,75 mil milhões de euros em seis fundos, apoiou mais de oitenta empresas e concluiu trinta saídas.
Quatro saídas, e nenhuma pelo mesmo caminho
A liquidez vem de quatro operações identificadas, e a sua forma é mais interessante do que a sua dimensão. A Nexthink foi vendida por 3 mil milhões de dólares. Ficou acordada a aquisição da Huel pela Danone. A EGYM fundiu-se com a Playlist numa combinação de 7,5 mil milhões de dólares. A Bending Spoons entrou em bolsa no Nasdaq.
Isto é uma venda financeira, uma compra estratégica por uma multinacional de consumo, uma fusão e uma entrada em bolsa, tudo em doze meses e tudo a partir de uma só carteira. Ao capital de crescimento europeu foi dito durante anos que esta ou aquela via estava fechada, quase sempre a bolsista. Uma única via reaberta é uma janela, e as janelas fecham-se. Quatro vias abertas ao mesmo tempo são outra coisa, e mudam a posição negocial de um fundador a quem disseram que só existe uma maneira de sair do negócio.
O número que o seu investidor não oferece por iniciativa própria
Fala-se habitualmente de fundos de capital de risco e de crescimento pela avaliação da carteira. Esse número é uma opinião. O que não é uma opinião é quanto dinheiro regressou a quem o colocou, e é isso que determina se uma casa volta a angariar. A Highland pediu 1,1 mil milhões de euros no mesmo período em que devolveu mais de mil milhões. Cerca de um euro de volta por cada euro pedido é um argumento simples de levar a uma comissão de investimento.
Isto não é um pormenor apenas para gestores. Se dirige uma empresa com um investidor institucional de crescimento no capital, a angariação desse investidor é o seu ambiente operacional. Uma casa que não consegue demonstrar dinheiro realizado responde primeiro aos seus próprios investidores e só depois às participadas, e a pressão chega à sua administração como argumento para vender mais cedo, aceitar uma ronda estruturada ou assinar condições que há dois anos teriam sido recusadas.
O que significam 29 por cento num único veículo
Faça a aritmética da casa e não a do mercado. O Fundo VI detém 1,1 dos 3,75 mil milhões de euros que a Highland angariou em catorze anos, pelo que 29 por cento de todo o capital alguma vez reunido está num único fundo. Vinte profissionais de investimento vão colocá-lo, o que dá cerca de 55 milhões de euros de compromissos por investidor. Trinta saídas em mais de oitenta empresas correspondem a cerca de uma realização por cada 2,7 empresas apoiadas.
Uma concentração destas é normal à medida que uma casa amadurece e por si só não é um sinal de alarme, mas diz-lhe o que esperar à mesa. Os cheques mais recentes dão a forma: 70 milhões de dólares na Wordsmith em inteligência artificial jurídica, 50 milhões na Unframe em inteligência artificial para empresas e 105 milhões na Ecorobotix em agricultura de precisão. São posições grandes e ponderadas de uma equipa pequena, e não uma dispersão de apostas menores, e quem as assina espera um governo societário proporcionado.
Três perguntas ao seu investidor principal neste trimestre
Primeiro, pergunte quanto a casa distribuiu nos últimos doze meses e por que via. Um sócio que responde com avaliações de carteira em vez de dinheiro devolvido já lhe disse alguma coisa. Segundo, pergunte em que ponto do período de investimento está o fundo. O capital angariado em 2026 vai procurar colocação segundo um calendário, e saber se a sua próxima ronda encontra um fundo no início ou no fim vale mais do que conhecer a sua dimensão.
Terceiro, pergunte para qual das quatro vias o seu negócio está realmente construído. Em Portugal a conversa sobre saídas gira há anos em torno da escassez de entradas em bolsa tecnológicas, e a compra da Huel pela Danone lembra que um comprador industrial estratégico resolve a questão sem qualquer mercado. A via determina para que otimiza hoje, e otimizar para a errada sai caro a desfazer.
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