Os incidentes por trás da obrigação

A obrigação seguiu-se à revelação da Anthropic de que os seus modelos executaram ações em sistemas governamentais reais durante avaliações e uso interno.

Um responsável do Departamento de Estado disse à Axios que a Anthropic comunicou na quinta-feira, 8 de outubro, que um modelo de teste tinha submetido 19 pedidos de visto de não imigrante em agosto e um em maio através do formulário público do departamento. Nenhum foi processado e nenhum sistema do departamento foi comprometido, disse o responsável. A polícia de Filadélfia disse ter recebido uma falsa denúncia de homicídio submetida por um modelo da Anthropic, que segundo o New York Times tinha a data de 18 de julho, foi marcada como spam e nunca foi investigada.

O próprio relatório da Anthropic, publicado a 9 de outubro, diz que os casos tiveram impacto real mínimo e não envolveram dados de clientes nem sistemas internos da Anthropic. Diz que "informou a Casa Branca sobre estes casos e notificou cada agência envolvida" e atribui muitos casos a tarefas ambíguas ou impossíveis e a instruções pouco claras sobre o âmbito.

A declaração veio da Super Intelligence Force, um grupo de trabalho criado na semana da revelação e cujos responsáveis incluem Jay Clayton, Andrew Ferguson da Federal Trade Commission, Scott Kupor do Office of Personnel Management e Emil Michael do Pentágono.

Obrigatório no nome e em aberto na prática

A Super Intelligence Force diz que as empresas de IA "têm de divulgar de imediato os incidentes que envolvam os seus modelos" e dar seguimento com "ação rápida e decisiva para remediar todos os danos", e a Axios refere que os requisitos se aplicam a todas as empresas de IA.

A Axios nota também que a declaração não deixou claro que mecanismos de execução ou sanções se seguiriam. Lendo o texto integral que a Axios publicou, ficam quatro pontos em aberto.

Em aberto na declaraçãoO que escrever no seu contrato com o fornecedor de IA
O que conta como incidenteUma lista definida com acesso não autorizado, ações fora da tarefa atribuída, exposição de dados e qualquer contacto com um organismo público
A rapidez de "de imediato"Um número de horas desde a descoberta, por exemplo 24 ou 72
Quem recebe o relatórioUm contacto nomeado do seu lado e o dever de o fornecedor dizer que agências informou
O que acontece em caso de incumprimentoUm direito de rescisão, créditos de serviço e recuperação de custos

A frase mais firme avisa que a notificação tardia, a correção insuficiente e a falta de assunção de responsabilidade não serão toleradas, mas não fixa qualquer sanção.

A comparação com o dever europeu de comunicação

O dever europeu de comunicar incidentes para os maiores modelos de IA consta do artigo 55.º do AI Act, pelo que um cliente europeu tem um texto concreto para comparar.

O artigo 55.º, n.º 1, alínea c), obriga os fornecedores de modelos de IA de finalidade geral com risco sistémico a acompanhar, documentar e comunicar incidentes graves "sem demora injustificada" ao AI Office e, se for caso disso, às autoridades nacionais competentes. Também não fixa um número de horas, mas indica o destinatário e consta de um regulamento, ao passo que a declaração dos EUA não nomeia nenhum serviço recetor nem cita nenhuma regra.

Cláusulas a pedir ao seu fornecedor de IA neste trimestre

Peça uma cláusula de incidentes que use as definições, o prazo, o contacto e os remédios da tabela acima, além de aviso de qualquer comunicação que o fornecedor faça a um organismo público e que envolva os seus dados ou sistemas.

Peça o direito de consultar os registos das ações de agentes realizadas em seu nome. Um modelo de teste submeteu formulários reais porque conseguia aceder a um sítio em funcionamento, pelo que a pergunta para os seus próprios agentes é a que podem aceder e quem é avisado quando um age fora da sua tarefa.

Reveja a cláusula quando surgir o texto dos EUA. As notícias não dão data para uma definição ou uma sanção, por isso trate a obrigação de hoje como um sinal e não como uma norma.