Três Dias, uma Cotação

Os acionistas da Pasqal aprovaram a combinação com a Bleichroeder Acquisition Corp. II a 25 de agosto de 2026, a fusão foi concluída dois dias depois, a 27 de agosto, e as ações ordinárias da Pasqal começaram a negociar na Nasdaq a 28 de agosto sob o símbolo PSQL, os warrants sob PSQLW.

A operação deixa a Pasqal com cerca de 360 milhões de dólares em caixa no fecho, verba que a empresa diz destinar a novas instalações de processadores quânticos, à adoção comercial e ao seu caminho rumo a máquinas tolerantes a falhas. O presidente executivo Wasiq Bokhari chamou ao marco "não uma linha de chegada" mas "um ponto de aceleração", descrevendo a cotação como uma passagem da ciência fundamental para a implementação à escala industrial.

O Preço Fixado em Março Manteve-Se

A Pasqal e a Bleichroeder anunciaram pela primeira vez a combinação em março de 2026, avaliando a empresa em 2 mil milhões de dólares pré-money e associando-lhe 200 milhões de dólares de financiamento convertível comprometido. Essas condições mantiveram-se em grande parte inalteradas até ao fecho desta semana, um pormenor que se destaca depois de um ano em que vários acordos SPAC foram reavaliados ou colapsaram antes de se concluírem.

A Pasqal é uma empresa de computação quântica de átomos neutros cofundada pelo prémio Nobel Alain Aspect, e já conta com a Crédit Agricole CIB, a Saudi Aramco e a LG Electronics entre os seus clientes. A empresa declara sete processadores quânticos instalados, mais três em produção, e mais de 25 aplicações comerciais e de investigação a funcionar nas áreas da energia, dos serviços financeiros e da ciência dos materiais.

A Segunda SPAC Quântica Europeia, um Terreno Concorrido

A Pasqal é a segunda empresa europeia de computação quântica a chegar à Nasdaq através de uma SPAC em 2026, depois da finlandesa IQM, que se cotou a 2 de julho com uma avaliação próxima de 1,9 mil milhões de dólares e captou cerca de 198 milhões de euros. Ambas as empresas escolheram Nova Iorque em vez de Frankfurt, Amesterdão ou Paris para captar o dinheiro que financia as principais apostas europeias em hardware quântico, algo que também interessa a Portugal através da sua participação no programa europeu de comunicações quânticas EuroQCI.

O campo mais amplo é maior e melhor financiado do que qualquer uma das duas recém-chegadas europeias, como mostra a tabela abaixo para as empresas de computação quântica que abriram capital em 2026.

EmpresaPaísPraça de cotaçãoAvaliaçãoCapital captado
IQMFinlândiaNasdaq, Nasdaq Helsínquia1,9 mil milhões de dólares198 milhões de euros
PasqalFrançaNasdaq, Euronext Paris prevista2 mil milhões de dólares pré-money360 milhões de dólares em caixa no fecho
InfleqtionEstados UnidosNYSE3,5 mil milhões de dólaresmais de 550 milhões de dólares
XanaduCanadáNasdaq, SPAC4,8 mil milhões de dólaresnão divulgado
QuantinuumEstados Unidos, Reino UnidoNasdaq, OPI pendente14,3 mil milhões de dólaresaté 1,46 mil milhões de dólares

Apenas a OPI pendente da Quantinuum captaria mais capital do que a Pasqal, a IQM e a Infleqtion juntas, e avalia o maior operador do setor em cerca de sete vezes a avaliação pré-money da Pasqal.

O que Isto Muda para os Compradores

Uma cotação pública muda o que a Pasqal deve aos seus clientes, não apenas aos seus acionistas. As regras da SEC exigem agora divulgação trimestral de resultados, contratos relevantes e fatores de risco que uma empresa privada nunca teve de publicar, dando a compradores empresariais e públicos uma forma permanente de confrontar as promessas do fornecedor com os números apresentados.

O capital público torna-se também moeda de aquisição, permitindo à Pasqal integrar empresas mais pequenas de software quântico ou de eletrónica de controlo com ações em vez de caixa, que prefere reservar para hardware. A dupla cotação na Euronext Paris prometida junto com as condições de março de 2026 continua a ser exatamente isso, uma promessa, esperada nalgum momento de 2026 ou de 2027; até lá, as próprias bolsas europeias continuam sem qualquer reivindicação direta sobre uma empresa construída sobre investigação pública francesa, um padrão que compradores portugueses já viram na IQM e na Multiverse Computing.