Duas semanas, centenas de ports
O Kotaku noticiou a 9 de outubro que, em cerca de duas semanas, tinham surgido centenas de emuladores e jogos criados com vibe coding e descompilados com IA, e atribui a vaga ao Claude Opus 5.5.
O autor, Lewis Parker, diz que os ports para navegador de Call of Duty: Black Ops, Halo: Combat Evolved, Grand Theft Auto: Vice City, Skate 3 e The Simpsons: Hit and Run parecem correr muito bem. Um dos quatro ports de Halo que experimentou tinha servidores online a funcionar. A maioria dos jogos é da era da PlayStation 2 ou 3. A PS3 tinha cerca de 512 megabytes de memória, nota Parker, e o seu próprio navegador estava a usar cerca de 1200. O ponto dele é que a memória deixou há muito de limitar os ports para navegador, e que o Claude Opus 5.5 é uma IA que se pode deixar a trabalhar durante a noite para descompilar um jogo.
Descompilar não é emular
Descompilar transforma o código máquina de um jogo outra vez em código-fonte legível, e isso é um trabalho diferente de emular a consola em que ele corria.
A heise explica o caminho habitual. Equipas de fãs fizeram-no à mão, por exemplo com o clássico da N64 GoldenEye 007, e os jogadores extraem os dados do jogo da sua própria cópia. A partir do código-fonte podem depois construir-se ports nativos. Para o navegador, o código é muitas vezes traduzido para WebAssembly, de modo que o jogo corre localmente no separador e não é transmitido de um servidor. Projetos assim levavam meses ou anos, e modelos de linguagem como o Opus 5.5 podem acelerá-los enormemente, diz a heise.
A heise avisa também que muitas vezes não é claro quanta IA há dentro de cada projeto. A versão de Halo para navegador que examina foi publicada no fim de setembro por um programador, assenta no trabalho de descompilação de outros, não inclui dados do jogo e pede aos jogadores que escolham uma imagem do seu próprio disco Xbox. Nem todos os ports têm uma verificação assim, e muitos arrancam diretamente.
Pedidos de remoção e uma comunidade dividida
Os editores reagem, e a comunidade de fãs que construiu as ferramentas está dividida. Segundo a heise, empresas como a Activision parecem responder com pedidos de remoção e notificações de cessação. Algumas publicações nas redes e vídeos dos últimos dias já não se conseguem abrir, e alguns ports para navegador foram retirados da rede. O Kotaku espera muito trabalho para os departamentos jurídicos de editores como a Take-Two e a Microsoft, e pergunta o que impede alguém de voltar a programar outra versão com vibe coding.
Nem todos os que trabalham em jogos antigos o acolhem bem. O DarioSamo, o programador por trás da versão não oficial para PC de Banjo-Kazooie chamada Banjo: Recompiled, distanciou-se no início de outubro de um port de Banjo-Tooie gerado por IA e construído com as ferramentas da sua equipa, dizendo que não há razão para correr a ser o primeiro com elas em jogos antigos e disponíveis há décadas. O veterano do código aberto Eric S. Raymond, nota a heise, achou durante muito tempo que os jogos seriam o último refúgio do software fechado, e escreveu que, se a IA pode devolver os jogos a código-fonte, nada está a salvo da engenharia inversa. A heise acrescenta que estes ports podem ajudar a preservar títulos que já não estão disponíveis.
O que diz a lei da UE sobre descompilar
A exceção da UE para a descompilação é estreita. O artigo 6.º da Diretiva relativa aos programas de computador (2009/24/CE) permite descompilar um programa sem o consentimento do titular apenas quando for indispensável para que um programa criado de forma independente funcione com ele.
Quem descompila tem de ter o direito de usar uma cópia, a informação não pode ter estado antes facilmente disponível, e o trabalho tem de limitar-se às partes necessárias à interoperabilidade. O artigo proíbe ainda usar o que se aprende para desenvolver um programa substancialmente semelhante na sua expressão ou para qualquer outro ato que viole direitos de autor.
À primeira vista, um port integral de um jogo comercial não parece ser o uso que o artigo descreve, embora apanhar ports anónimos seja um problema prático. É uma leitura simples do texto e não aconselhamento jurídico, e os casos são decididos pelos tribunais nacionais.
O que assumir sobre o seu próprio binário de cliente
Qualquer estúdio ou fornecedor de software que distribua um binário de cliente deve planear como se o código pudesse ser reconstruído como código-fonte legível.
| Camada | Chega ao computador do jogador | O que mostram as notícias |
|---|---|---|
| Código do jogo compilado | Sim | Reconstruído como código-fonte legível, e segundo a heise os modelos de linguagem aceleram um trabalho que levava meses ou anos |
| Dados do jogo, como arte e áudio | Sim | O port de Halo que a heise descreve não inclui nenhuns, e os jogadores fornecem uma imagem do seu próprio disco |
| Servidores online | Não | O Kotaku encontrou servidores online a funcionar num dos quatro ports de Halo que experimentou |
Isto desloca o valor para longe do executável. As contas, as compras e o conteúdo ao vivo que correm mesmo nos seus servidores não se copiam de uma transferência, enquanto as licenças, as atualizações e um processo rápido de remoção protegem o resto. A nota do Kotaku sobre servidores a funcionar num port de Halo é um aviso de que também a camada de rede não se pode dar como inacessível.
Reserve já um orçamento para isto: uma pessoa designada que possa apresentar pedidos de remoção num dia, uma lista do que está do lado do servidor e um modelo de licenciamento que não dependa de manter o binário secreto.
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