Uma ronda recorde, depois um êxodo
A H Company, uma startup de IA sediada em Paris anteriormente conhecida como Holistic, angariou uma ronda seed de 220 milhões de dólares a 21 de maio de 2024, então a maior alguma vez fechada por uma empresa europeia de IA. O plano era construir modelos fundacionais na mesma liga da OpenAI, da Mistral e da Aleph Alpha. A ronda atraiu investidores que raramente aparecem na mesma folha de termos: a Bpifrance, o próprio braço de investimento do Estado francês, ao lado de Eric Schmidt, Amazon, Xavier Niel e Samsung.
Três meses depois, antes de a H Company ter lançado um produto público, três dos cinco fundadores demitiram-se. Karl Tuyls, Daan Wierstra e Julien Perolat saíram em agosto de 2024, citando diferenças operacionais, segundo a reportagem original da Sifted. Os três vinham da Google DeepMind, a mesma origem do CTO que ficou.
Para onde foram os fundadores que saíram
Karl Tuyls reapareceu na Meta, segundo o que foi noticiado em fevereiro de 2025. Esse pormenor pesa mais do que uma contratação de rotina: um fundador que deixou uma empresa construída explicitamente para reter talento europeu de IA dentro da Europa aceitou o seu emprego seguinte precisamente num dos hiperescaladores norte-americanos contra os quais essa ronda de financiamento estava implicitamente posicionada.
A H Company continuou a operar com os seus dois líderes técnicos remanescentes, o diretor executivo Charles Kantor e o diretor de tecnologia Laurent Sifre, e mais tarde lançou os seus primeiros modelos sob a marca Holo.
A segunda saída rumo a um gigante norte-americano
A 4 de setembro de 2026, tanto o meio alemão IT-Boltwise como a Sifted noticiaram que Sifre deixa a H Company para ir para a Microsoft. Era o CTO da empresa e, ao lado de Kantor, uma das apenas duas pessoas que restavam da equipa fundadora original de cinco pessoas após o êxodo de 2024.
Com a saída de Sifre, Charles Kantor é o único membro remanescente desse grupo fundador. Dois dos quatro cientistas ex-DeepMind que iniciaram a empresa, Tuyls e agora Sifre, acabaram cada um numa grande tecnológica norte-americana: o primeiro na Meta, o segundo na Microsoft.
O que uma ronda recorde realmente comprou
Uma ronda seed de 220 milhões de dólares, cofinanciada por um veículo de investimento estatal, é um resultado de capital. Reter os cientistas para os quais esse capital foi angariado é um problema separado e mais difícil, e a história da H Company ao longo de cerca de vinte e oito meses mostra que as duas coisas não andam automaticamente juntas.
Para qualquer investidor ou decisor político que trate um grande anúncio de financiamento como prova de soberania europeia em IA, a lista de fundadores da H Company é a verificação a fazer antes de dar o ponto como demonstrado: o dinheiro que entra pela porta nada diz sobre quem ainda está no edifício dois anos depois.
A cronologia numa tabela
A sequência do lançamento até uma equipa fundadora de uma só pessoa avança mais depressa do que sugeriam na altura as manchetes sobre a ronda.
| Data | Acontecimento |
|---|---|
| 21 de maio de 2024 | Fecha a ronda seed de 220 milhões de dólares, então a maior da Europa para uma startup de IA |
| 24 de agosto de 2024 | Três dos cinco fundadores (Tuyls, Wierstra, Perolat) saem da empresa por diferenças operacionais |
| Fevereiro de 2025 | Confirmado que Karl Tuyls entrou na Meta |
| 4 de setembro de 2026 | Confirmado que o CTO Laurent Sifre parte para a Microsoft |
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