Irlanda É Agora A Única Ponte Da AWS Para A Europa

A AWS anunciou o Fastnet, o seu primeiro cabo submarino transatlântico em propriedade total, ligando uma nova estação de chegada no Maryland ao condado de Cork, na Irlanda. O Taoiseach irlandês Micheal Martin chamou-lhe "um voto de confiança no futuro digital da Irlanda", e o governador do Maryland, Wes Moore, disse tratar-se da primeira chegada de fibra submarina de sempre no estado. O cabo deverá entrar em serviço em 2028.

Até agora, a AWS apenas tinha comprado capacidade em cabos pertencentes a consórcios ou a outros operadores, sistemas como o Hawaiki e o Marea. O Fastnet é diferente: a AWS possui a fibra de ponta a ponta, o que significa que também decide onde chega e quanta capacidade a Europa recebe.

Os Números Desviam A Atenção Da Verdadeira História

A AWS afirma que o Fastnet transportará mais de 320 terabits por segundo, o suficiente, segundo a empresa, para transmitir 12,5 milhões de filmes em HD em simultâneo ou mover três vezes por segundo toda a Biblioteca do Congresso digitalizada. Estes números descrevem um débito teórico, não o que realmente determina se a Europa ganha com isto uma infraestrutura de nuvem mais resiliente.

O que importa para um operador é o ponto de chegada. A maioria dos cabos submarinos irlandeses chega a terra perto de Dublin ou na costa oeste, junto a Mayo e Galway. O Fastnet chega antes ao condado de Cork, um corredor hoje servido apenas por outro sistema, o Exa Express. A AWS apresenta isto como diversidade de rota: um segundo acesso à Irlanda, geograficamente separado, que mantém o tráfego a funcionar caso um cabo perto de Dublin seja cortado ou degradado.

A Diversidade De Rota Não Resolve O Estrangulamento Que A AWS Não Consegue Comprar

A Irlanda já concentra uma parcela desproporcionada da capacidade de nuvem hiperescala da Europa. AWS, Microsoft e Google operam ali grandes regiões, atraídas pela mesma combinação de impostos baixos, língua inglesa e pertença à UE. Essa concentração esbarrou num limite físico que nada tem a ver com cabos: o operador de rede irlandês restringe há anos novas ligações elétricas para centros de dados junto a Dublin, por falta de capacidade disponível.

Um segundo cabo privado que chega a um novo troço da costa irlandesa acrescenta resiliência de largura de banda, mas não acrescenta um único megawatt à rede que tem de alimentar o que estiver do outro lado desse cabo. A AWS pode possuir a rota do fundo do mar para a Irlanda em duplicado e continuar a depender do mesmo operador de rede nacional para a eletricidade que ligue essa nova capacidade. O verdadeiro estrangulamento que os compradores europeus de nuvem deviam vigiar é precisamente aquele sobre o qual a AWS nada anunciou esta semana.

O Que Isto Significa Se Compra Capacidade De Nuvem Na Europa

Para um comprador empresarial, um segundo cabo privado da AWS para a Irlanda é uma melhoria real de resiliência: menos um ponto único de falha entre regiões dos EUA e da UE, e um que a AWS controla diretamente em vez de o partilhar com outros operadores num cabo de consórcio. É uma razão razoável para se sentir um pouco mais tranquilo perante as promessas de recuperação de falhas de um acordo de serviço AWS EU-West.

Não é razão para presumir que o crescimento da capacidade de nuvem na UE não tem limites. A fila de ligações à rede elétrica em torno do principal corredor irlandês de centros de dados continua a ser o travão mais vinculativo à velocidade a que AWS, Microsoft ou Google conseguem realmente ligar ali nova capacidade, e o Fastnet não muda essa fila em nada. Quem planeia compromissos plurianuais de capacidade de nuvem na UE devia perguntar ao seu fornecedor pelos prazos de ligação à rede na região concreta onde compra, e não apenas pelos mapas de rotas de cabos.

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