Empresa De Roma Atinge Estatuto De Unicórnio Em Segurança Robótica

A Exein, uma empresa sediada em Roma que desenvolve software de segurança para o firmware que corre dentro de robôs, sensores industriais e outros dispositivos ligados, captou 234 milhões de euros (270 milhões de dólares) numa ronda que avalia a empresa em 1,4 mil milhões de euros. A ronda foi liderada pela sociedade de capital de risco Headline, com a participação da Sofina, da Goldman Sachs e dos investidores já existentes Balderton, HV Capital e Lakestar.

A empresa afirma registar atualmente mais de 5000 novos ataques contra dispositivos ligados por semana, um número que utiliza para explicar porque é que a procura por aquilo a que chama segurança de IA física cresceu depressa o suficiente para justificar um salto de avaliação desta dimensão numa única ronda.

Dois Bancos Estatais De Desenvolvimento Fazem Algo Que Nunca Tinham Feito

O EIB Group e o KfW Capital, os braços de investimento da UE e do Estado alemão, juntaram-se a esta ronda ao lado dos investidores privados, e nenhum dos dois bancos se dedica a capital de risco convencional. O EIB Group investiu através da European Tech Champions Initiative, um programa criado para manter as empresas de deep tech europeias mais promissoras financiadas com capital europeu, em vez de as obrigar a recorrer a fundos de Silicon Valley ou do Golfo quando as rondas se tornam grandes. O KfW Capital investe sob um mandato semelhante, específico para a Alemanha.

Até esta ronda, o capital destes dois mandatos tinha ido sobretudo para apostas em chips e computação: a startup neerlandesa de chips de IA Euclyd fechou no dia anterior a sua própria ronda de 200 milhões de euros, apoiada pelo próprio Scaleup Europe Fund da UE. A Exein é uma aposta diferente. Não fabrica chips nem opera centros de dados. Protege o software que já corre dentro das máquinas físicas, e o facto de o capital estatal tratar isso como infraestrutura estratégica é novo.

EmpresaSetorDimensão da rondaInvestidor ligado ao Estado
Exein (Roma)Segurança de IA física234 milhões de eurosEIB Group, KfW Capital
Euclyd (Eindhoven)Infraestrutura de chips de IA200+ milhões de eurosScaleup Europe Fund da UE

O Que A Exein Protege Realmente

O software da Exein corre dentro do próprio dispositivo em vez de o vigiar a partir do perímetro da rede, segundo a empresa, o que lhe permite detetar vulnerabilidades e comportamentos anómalos em robôs, sensores industriais e outro hardware embutido a que uma ferramenta de cibersegurança convencional nunca chega. Essa é a categoria a que a empresa chama segurança de IA física: não proteger o modelo que controla uma máquina, mas o firmware e o ambiente de execução da própria máquina.

Esta é também a camada que a legislação da UE já trata como responsabilidade do fabricante. O Cyber Resilience Act impõe um prazo legal de notificação para qualquer produto ligado vendido no mercado da UE, e a NIS2 alarga a responsabilidade ao longo da cadeia de fornecimento a quem integrar esse hardware nas próprias operações. Uma empresa que compra robôs industriais ou sensores IoT para uma fábrica já não compra apenas hardware, compra uma obrigação de conformidade que permanece dentro desse hardware enquanto ele funcionar.

A Rubrica Orçamental Para Que Esta Ronda Aponta

Um empresário que esteja a avaliar robôs, sensores industriais ou outro hardware ligado deve ler esta ronda como um sinal, não apenas como uma notícia de financiamento. Quando bancos estatais da UE e da Alemanha colocam dinheiro por trás de uma empresa que certifica a segurança embutida de máquinas físicas, as equipas de compras devem esperar que essa certificação se torne um ponto padrão nos questionários a fornecedores, tal como aconteceu com os requisitos de inventário de software depois da primeira vaga de ataques à cadeia de fornecimento.

Isto também muda a quem um comprador europeu se pode dirigir quando um fornecedor de robótica ou IoT não consegue responder a uma pergunta básica de segurança. A Exein não revelou os seus clientes de referência neste anúncio, mas uma avaliação de 1,4 mil milhões de euros, apoiada por dois bancos estatais de desenvolvimento, dá às equipas de compras um fornecedor concreto a quem perguntar, em vez de uma categoria abstrata.

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