Pelo que a Uber paga
A 6 de outubro de 2026, a Uber acordou comprar a ezCater, um marketplace de catering empresarial sediado em Boston, por 2,3 mil milhões de dólares em dinheiro. O fecho é esperado nos próximos meses e depende de aprovação regulatória. O TechCrunch compara a ezCater a uma Expedia do catering.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Preço, tudo em dinheiro | 2,3 mil milhões de dólares |
| Reservas brutas, últimos 12 meses | Mais de 2,5 mil milhões de dólares |
| Restaurantes na plataforma | Cerca de 140 000 nos EUA |
| Valor médio da encomenda | Acima de 400 dólares |
A Uber diz que a ezCater é rentável em resultado operacional ajustado e que o negócio melhorará as margens, ajudado por essas encomendas grandes. O preço é inferior a um ano de reservas brutas, mas estas são o que os clientes gastam nos restaurantes, não a receita própria da ezCater, que a cobertura não indica.
A ezCater foi fundada em 2007 e, nota o TechCrunch, autofinanciou-se durante sete anos antes de uma primeira ronda de 4 milhões de dólares em 2014. A Dow Jones refere que a Uber quer levar as ferramentas de catering empresarial da ezCater para a Uber Eats e para a plataforma Uber for Business.
Porque quer a Uber catering agora
A Reuters refere que a Uber Eats tem maior alcance global, mas que a DoorDash detém a maioria do mercado norte-americano de entrega de comida, segundo analistas, e que a compra da ezCater deve ajudar a Uber a encurtar a distância. O Business Insider acrescenta que a DoorDash anunciou em abril o seu próprio serviço de entrega de catering para locais de trabalho.
A compra segue o acordo de julho da Uber para adquirir a alemã Delivery Hero por 14,8 mil milhões de dólares, negócio que, segundo a Reuters, visa criar o maior grupo de entrega de comida fora da China. A entrega representou cerca de 37 por cento da receita da Uber no segundo trimestre.
O analista da Rosenblatt Scott Devitt disse à Reuters que trazer compradores empresariais apoia o ciclo de subscrições da Uber e que o seu segmento de negócios aumentou as reservas brutas em mais de 40 por cento no segundo trimestre. Uma encomenda de grupo paga por uma empresa é um cliente diferente de um almoço para uma pessoa.
O que muda para restaurantes e empresas de catering
O argumento da Uber, nas palavras do presidente executivo Dara Khosrowshahi, é que o catering pode ser uma enorme fonte de receita para os restaurantes e que o alcance da Uber lhes trará mais destas encomendas valiosas. A cobertura não indica taxas, comissões ou exclusividade, nem como mudarão os contratos atuais da ezCater.
Na nossa leitura, um restaurante que vende pela ezCater e pela Uber Eats terá em breve dois canais de encomenda sob um só dono, o que dá mais peso à plataforma em qualquer negociação de condições. Quem vende só por um deles deve esperar que o outro bata à porta.
Os estafetas também fazem parte do argumento. A Uber diz que os estafetas da Uber Eats terão novas formas de ganhar dinheiro, e o Business Insider refere que alguns trabalhadores de plataformas dizem que as encomendas grandes pagam mais mas exigem mochilas térmicas ou um veículo maior. Entregar catering é diferente de entregar uma refeição avulsa.
O que devem fazer os operadores
Calcule que parte da sua receita de catering chega por marketplaces e que parte por encomendas diretas. Um canal que pode mudar de dono de um dia para o outro é uma dependência, por isso pergunte quem detém os dados dos clientes e o que acontece à sua listagem se as condições mudarem.
Peça por escrito comissão, exclusividade, visibilidade da listagem e condições de despacho antes de qualquer integração. As fontes não as descrevem, por isso não presuma nada e mantenha uma ementa de catering e uma página de encomendas próprias como alavanca.
Acompanhe nos próximos meses a análise regulatória e a resposta da DoorDash. Os operadores que vendem através da Delivery Hero, que a Uber acordou comprar em julho, devem ler já os seus contratos de plataforma e não só quando esse negócio avançar.
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