A Revolut Testa Se As Reformas De Londres Funcionam

O fundador da Revolut, Nik Storonsky, disse ao jornal francês Les Echos que a empresa pondera uma dupla cotação na Bolsa de Londres e na Nasdaq. A Revolut foi avaliada pela última vez em 115 mil milhões de dólares numa venda privada de ações, um valor que a tornaria numa das maiores cotadas do Reino Unido caso entrasse em bolsa ali, à frente de bancos estabelecidos como o Barclays e o NatWest. Storonsky já tinha dito que uma entrada em bolsa poderia chegar dentro de cerca de dois anos, consoante as condições de mercado.

Ainda assim, voltou a apresentar Nova Iorque como a opção mais sólida: "É um mercado maior. Inclui investidores institucionais, fundos de cobertura, gestores de fundos e um número considerável de investidores privados." Isso não é novidade. O que é novo é aquilo que Londres construiu desde a última vez que disse algo semelhante.

O Reino Unido Construiu Exatamente A Reforma Que Storonsky Pedia

Storonsky já tinha citado o imposto de selo de 0,5 por cento sobre transações de ações no Reino Unido como motivo concreto para evitar uma cotação em Londres, um custo que não existe nas bolsas norte-americanas. Desde então, o Reino Unido agiu em duas frentes que respondem diretamente a essa queixa. Uma nova regra leva empresas do tamanho da Revolut para o FTSE 100 no prazo de cinco dias após a cotação, garantindo procura de fundos indexados desde o primeiro dia em vez de obrigar uma nova cotada a esperar meses até se qualificar. Em separado, a chanceler britânica Rachel Reeves e o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciaram um grupo de trabalho transatlântico criado especificamente para facilitar duplas cotações entre o Reino Unido e os Estados Unidos, durante a visita de Estado do presidente Trump.

A Revolut é a empresa que transformou o imposto de selo num tema de conversa pública durante anos. Se agora se pondera a sério uma dupla cotação, esse é o primeiro teste real de saber se as reformas do Reino Unido mudam uma decisão real, e não apenas a conversa em torno dela.

Mesmo Com As Reformas, Londres Continua A Ser O Segundo Nome Citado

As próprias palavras de Storonsky continuam a colocar Nova Iorque em primeiro lugar. Chama-lhe o mercado maior, com participação institucional e de fundos de cobertura mais profunda, e o seu elogio a Londres está notavelmente ausente nesta ronda de declarações. Vale a pena ler com atenção: o imposto de selo era um obstáculo, e o Reino Unido já o resolveu. Mas a atração por Nova Iorque para uma fintech de consumo em busca de escala parece assentar em algo mais profundo do que uma única linha fiscal, chegando à profundidade de liquidez, às avaliações de empresas comparáveis e à pura dimensão da base de investidores de retalho norte-americana.

Uma dupla cotação dá à Revolut as duas coisas: a inclusão no FTSE 100 e o perfil britânico que acompanha ter Londres como sede, a par da liquidez e dos comparáveis de avaliação de uma cotação norte-americana. Essa é a leitura pragmática de "dupla", não um voto de confiança em Londres por si só.

O Que Isto Significa Para Outras Tecnológicas Britânicas A Ponderar Uma Entrada Em Bolsa

Para fundadores de outras grandes tecnológicas britânicas, a decisão da Revolut é o caso de teste a observar, não os anúncios gerais de política. Se a fintech mais valiosa da Europa acabar por incluir Londres numa dupla cotação, será um sinal concreto de que a regra de entrada rápida no FTSE e o grupo de trabalho influenciam realmente uma decisão de cotação, e não apenas dão um título que os responsáveis podem citar. Se a Revolut cotar apenas em Nova Iorque, ou na prática pesar muito mais para Nova Iorque, isso diz que a atração dos mercados norte-americanos para tecnológicas em fase de escala é estrutural, e que uma entrada rápida no FTSE em cinco dias não a compensa.

Qualquer um dos dois resultados diz mais do que o próprio anúncio de política. Observe o que escolhe fazer, agora que o Reino Unido diz ter resolvido o problema, a empresa que passou anos a apontar em voz alta o problema de custo de Londres.

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