O que mudou na prateleira no fim de semana
Os preços que a Microsoft anunciou a 25 de junho entraram em vigor a 1 de agosto, e quem entrou numa loja no sábado encontrou quatro números novos. A Series S de 512 GB passou de 349,99 para 499,99 euros. A Series S de 1 TB passou de 399,99 para 599,99. A Series X totalmente digital de 1 TB passou de 549,99 para 749,99, e a Series X com leitor de discos de 599,99 para 799,99. No Reino Unido, essas mesmas quatro máquinas passaram de 299,99 para 429,99 libras, de 349,99 para 519,99, de 449,99 para 619,99 e de 499,99 para 669,99.
A Microsoft deu uma razão direta. Os preços da memória e do armazenamento para consolas, disse, subiram mais de 2,5 vezes, e espera nova duplicação até ao outono de 2027. Acrescentou ainda uma frase fácil de saltar: ao contrário dos telemóveis, dos computadores e das colunas, as consolas não são normalmente vendidas com lucro, mas por menos do que custam a fabricar. Uma máquina vendida abaixo do custo não tem margem para amortecer um choque de componentes, e por isso este chegou ao preço de prateleira quase sem diluição. Ao mesmo tempo, a Series X de 2 TB foi descontinuada em definitivo.
Leia as percentagens, porque não são os aumentos
Os aumentos parecem uniformes. Na Europa são 150 euros na máquina de entrada e 200 euros nas outras três, o que se lê como um ajuste plano. As percentagens contam outra coisa, e esta aritmética é nossa, tirada dos preços publicados e não de algo que a Microsoft tenha dito.
Na Europa a Series S de 512 GB subiu 42,9 por cento, a Series S de 1 TB subiu 50,0 por cento, a Series X digital subiu 36,4 por cento e a Series X com leitor subiu 33,3 por cento. No Reino Unido esses mesmos quatro valores são 43,3, 48,6, 37,8 e 34,0 por cento. As duas moedas dizem o mesmo: a família Series S levou um aumento proporcional bastante maior do que a família Series X, e o degrau mais íngreme de toda a gama foi a Series S de 1 TB, com quase metade por cima.
Vale a pena confrontar com os Estados Unidos, porque apontam no mesmo sentido mas com menos gume. Ali os quatro aumentos são 25,0, 33,3, 25,0 e 23,1 por cento. A Series S intermédia continua a ser a mais íngreme e a topo de gama a mais suave, mas a amplitude anda pelos dez pontos onde a europeia ronda os dezassete. Aconteça o que acontecer no resto, o padrão não é um efeito de arredondamento de um único mercado.
A etiqueta em euros apanhou a etiqueta em dólares
Alinhe os novos preços europeus com os novos americanos e salta uma coisa à vista. Os quatro novos valores em euros são 499,99, 599,99, 749,99 e 799,99. Os quatro novos valores em dólares são 499,99, 599,99, 749,99 e 799,99. São idênticos, algarismo a algarismo, em toda a gama. Antes de 1 de agosto não eram: cada preço europeu estava exatamente 50 abaixo do seu equivalente americano. A Europa não encaixou apenas um aumento, abdicou também de uma diferença que manteve durante toda a vida da geração.
Uma cautela, porque a comparação convida a uma conclusão errada. Os preços de tabela europeus incluem IVA e os americanos não, pelo que etiquetas iguais não significam que os europeus paguem agora mais em termos reais do que os americanos. Com o IVA português a 23 por cento, uma etiqueta de 499,99 euros corresponde a cerca de 406 euros antes de imposto; na Alemanha a taxa é de 19 e em Itália de 22 por cento, portanto o valor sem imposto difere de país para país. O que os algarismos iguais mostram de facto é que toda a almofada nominal de que a Europa dispunha foi fechada num único passo, e isso é uma decisão de política de preços e não uma consequência automática do custo dos componentes.
Um choque de memórias escala com o silício, não com o preço
Que a consola barata se tenha mexido mais não é um capricho de tabela, e vale a pena perceber a razão porque se aplica muito para além das consolas. Quando o custo da memória duplica, o aumento que um fabricante tem de repassar é proporcional à quantidade de memória que vai na caixa, e não ao preço por que a caixa é vendida. A memória e o armazenamento pesam muito mais na lista de materiais de uma máquina de 349,99 euros do que numa de 599,99, onde o dinheiro se reparte por um processador maior, melhor arrefecimento, uma unidade maior e um mecanismo ótico. O mesmo choque de componentes representa por isso uma fração maior do custo total da máquina barata, e a percentagem na prateleira vem atrás.
Repare no que aconteceu no outro extremo da gama nesse mesmo momento. A Series X de 2 TB, o modelo com mais armazenamento, foi retirada em vez de ser reavaliada no preço. Comprimir uma gama pelas duas pontas é a assinatura de uma escassez de componentes e não de um problema de procura: a configuração com mais quantidade da peça escassa deixa de ser vendável a qualquer preço sensato, e a configuração com menos de tudo o resto não tem onde esconder o aumento. O que sobrevive é o meio, e sobrevive mais caro.
A mesma forma está no seu orçamento de equipamento
Poucos leitores compram consolas para a empresa, mas quase toda a gente que compra portáteis, tablets, terminais de ponto de venda, quiosques ou equipamento de campo compra a mesma memória do mesmo fornecimento apertado. O reflexo habitual nas compras é levar a configuração de entrada e encomendá-la em volume, porque o preço unitário é o número que sobrevive na folha de orçamento. Num choque de memórias esse reflexo aponta exatamente para a ponta errada: é na configuração de entrada que se concentra o aumento percentual, e é nos extremos da gama que ocorrem as descontinuações.
Daqui saem dois movimentos práticos. Se já há uma renovação prevista para os próximos doze meses, antecipe-a em vez de a adiar, porque a Microsoft lhe disse em público que espera nova duplicação dos preços de memória e armazenamento até ao outono de 2027, e mais claro do que isto um fornecedor raramente é. E ao especificar, faça as contas ao degrau acima do modelo de entrada antes de o afastar, porque a distância entre os dois encurta de cada vez que isto acontece. Fica uma data à vista: a partir de 1 de setembro a Nintendo Switch 2 sobe para 499,99 euros, o mesmo preço de tabela da Xbox mais barata que pode comprar agora. Quando uma máquina de entrada e uma de topo se encontram no mesmo número, o segmento de entrada deixou de existir a não ser no nome.
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