Um título de estreia, três anos em produção

A MBC Game Studio revelou-se publicamente pela primeira vez na Gamescom 2026, em Colónia, mostrando 1001 Threads of Mizan, uma aventura de ação construída em torno de As Mil e Uma Noites, com cooperativo de entrada e saída livre para até três jogadores e deslocação tanto a pé como em tapete voador. O estúdio trabalha no projeto desde 2023 e ainda não anunciou uma janela de lançamento.

"O trabalho remoto tem sido extraordinariamente valioso, porque nos permite abordar pessoas fantásticas e dizer-lhes que podem ficar onde estão", disse o CEO do estúdio, Daniel Engelhardt, à Game Developer durante o evento. "A nossa equipa inclui pessoas no Médio Oriente com ligações profundas ao material." A equipa, totalmente remota, é liderada por Engelhardt e pelo diretor de operações, Trevor Williams.

Onde o dinheiro soberano encontrou o seu talento

O estúdio já contratou veteranos da BioWare, Hi-Rez Studios, Ubisoft Montreal e Bungie, quatro nomes que juntos cortaram milhares de postos desde 2022, enquanto a indústria dos videojogos no seu conjunto atravessava o pior ciclo de despedimentos da sua história. A empresa-mãe da MBC Game Studio, a MBC Studios, é uma unidade da MBC Group, a maior emissora do Médio Oriente e do Norte de África.

Em 2025, o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita adquiriu uma participação de 54 por cento na MBC Group, comprando as ações à Istedamah Holding Company, um veículo de investimento gerido pelo ministério das Finanças saudita. As operações mais amplas do PIF já atraíam o escrutínio crítico de figuras do setor e de políticos; este estúdio é uma das posições mais pequenas e discretas dentro dessa carteira, e está a contratar exatamente o perfil de trabalhador que o resto do setor despede há três anos.

A vaga de despedimentos em que a MBC está a contratar

Os despedimentos de onde a MBC está a recrutar não são um caso isolado. O acompanhamento feito por órgãos do setor situa as perdas totais de emprego na indústria dos videojogos entre 2022 e meados de 2025 em cerca de 45 mil, com mais milhares só em 2026, incluindo uma única vaga reportada de 2374 cortes em fevereiro.

AnoDespedimentos reportados na indústria dos videojogos
2022Cerca de 8500
2023Cerca de 10 500
2024Cerca de 14 600 (pior ano já registado)
2025 (até meio do ano)Cerca de 4000
2026 (no que vai do ano)Pelo menos 9781 até final de julho, dos quais 2374 só em fevereiro

Nesse contexto, a MBC excluiu uma forma óbvia de cortar custos. "Não é que sejamos categoricamente contra a IA, é apenas que enquanto estúdio temos a firme convicção de que a IA é apenas tão forte quanto a pessoa que a utiliza", disse Engelhardt à Game Developer, confirmando uma política atual contra o uso de IA generativa na produção.

A decisão que vai além de um único estúdio

A suposição habitual sobre novos entrantes apoiados pelo estado e com bolsos fundos é que usam capital barato para primeiro automatizar e só depois contratar, reduzindo custos face aos estúdios existentes. A MBC Game Studio faz quase o oposto: absorve talento veterano que o resto do setor deixou ir, numa altura em que cerca de um em cada três programadores inquiridos diz ter sido pessoalmente afetado por despedimentos, ao mesmo tempo que exclui explicitamente exatamente a tecnologia que lhe permitiria fazer mais com menos pessoas.

Isso torna o capital soberano num verdadeiro mecanismo de equilíbrio do mercado de trabalho para o desenvolvimento de videojogos, e não apenas numa linha de financiamento numa tabela de capitalização. Onde o talento deslocado por três anos de despedimentos acaba mesmo por aterrar, em regime remoto, apoiado pelo estado e a construir em vez de automatizar, diz tanto sobre a forma do setor a curto prazo como o título de lançamento de qualquer estúdio.

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