Um laboratório de investigação comprou uma aplicação de horóscopos

A Midjourney publicou a 23 de julho de 2026 uma nota que anuncia a sua primeira aquisição: a Co-Star, a aplicação social de astrologia fundada por Banu Guler. A Bloomberg, que noticiou a operação, escreveu que tinha sido fechada na primavera e que não havia sido tornada pública antes. As condições não foram reveladas. A Co-Star tem cerca de 4,3 milhões de utilizadores ativos por mês, que constroem mapas astrais, os partilham com amigos e leem horóscopos e leituras de compatibilidade escritas em parte por software e em parte por pessoas.

Cerca de duas dúzias de trabalhadores da Co-Star passaram para a Midjourney. Guler assume produto e design em todo o conjunto crescente de projetos da Midjourney, e a empresa afirma que a Co-Star continua inteiramente sob o seu controlo e a sua direção. Holz escreveu que precisava de ajuda para fazer crescer a organização e que os dois falaram várias horas por semana durante cinco anos antes do acordo.

A nota sobre o plano pesa mais do que o preço

Porque isto importa. A frase que vale a pena ler duas vezes no anúncio da própria Midjourney não fala de astrologia. Holz descreveu a construção daquilo a que chama um laboratório de investigação muito invulgar, disse que o Midjourney Medical é o seu início e depois pôs um número e um prazo no que vem a seguir: meia dúzia de projetos igualmente ambiciosos, esperados em seis meses. Em junho a empresa anunciou um scanner ultrassónico de corpo inteiro e uma divisão Midjourney Health. Segundo a Bloomberg, está também a construir a sua própria aplicação em vez de continuar dependente do Discord.

Lida como compra, esta é capacidade de produto de consumo adquirida de uma só peça: uma equipa que construiu e operou uma aplicação grande, mais uma responsável para pôr à frente do produto. Lida como sinal, é um fornecedor a dizer aos seus clientes para onde vai a ambição dos próximos seis meses, e nada disso é um modelo de imagem melhor. Se o seu estúdio ou a sua agência se padronizou sobre a Midjourney, a consequência prática é uma questão de atenção. As empresas que crescem em tantas frentes raramente anunciam que linha fica com os engenheiros.

O que fazer antes da próxima renovação

Em conclusão. Trate isto como uma dependência de um único fornecedor com uma data associada. Seis meses depois da nota de Holz é o final de janeiro de 2027, por isso marque uma revisão para essa altura e avalie o fornecedor pelo que foi entregue para o seu caso de uso, não pelos anúncios. Mantenha um segundo modelo de imagem ligado na cadeia e teste-o a cada trimestre, porque é isso que transforma uma mudança numa alteração de configuração em vez de um projeto. E exporte a biblioteca de prompts e os ativos de referência que a sua equipa construiu, porque essa biblioteca é o bem que lhe pertence, não a subscrição.

Mais um ponto para um comprador europeu. Por trás de uma aplicação de consumo cuja entrada principal é a data, a hora e o local de nascimento de uma pessoa está agora um laboratório de inteligência artificial. Esses são dados pessoais ao abrigo do RGPD, e a empresa que os detém mudou. Se o seu marketing usa conteúdos da Co-Star ou alguma superfície de consumo da Midjourney em campanhas, esclareça onde ocorre o tratamento e quem é agora o responsável, antes de a questão aparecer num registo de atividades de tratamento. Vale a pena saber quem é esse público: um inquérito da Gallup publicado em abril de 2026 encontrou nos Estados Unidos uma queda do entusiasmo pela inteligência artificial na Geração Z, com o entusiasmo 14 pontos abaixo, nos 22 por cento, e a irritação 9 pontos acima, nos 31 por cento.