Schiller afasta-se, começa a era Ternus

Phil Schiller, que liderava a App Store e os eventos de produto da Apple desde muito antes da atual gama de iPhone, deixou ambas as funções a 31 de agosto de 2026, o mesmo dia em que Tim Cook entregou o título de diretor executivo a John Ternus. Schiller mantém o título de Apple Fellow e passa a iniciativas não especificadas; a Apple descreveu o passo como uma aproximação a uma eventual reforma, não como uma saída.

A operação diária da App Store fica agora a cargo de Carson Oliver, veterano do departamento, que reporta diretamente ao responsável de serviços Eddy Cue. A liderança dos eventos de produto da Apple passa para Nola Weinstein, adjunta de Schiller desde 2023, que reporta à vice-presidente de comunicação Kristin Huguet Quayle.

O novo responsável da App Store tem apenas um objetivo: receita

Eddy Cue lidera a divisão que transformou as comissões da App Store, as subscrições e os anúncios de pesquisa num negócio de serviços avaliado em dezenas de milhares de milhões de dólares por ano, e a App Store fica agora integrada nela por completo, sem um defensor a reportar separadamente acima de Oliver. Schiller veio da organização de marketing da Apple e passou anos como o rosto público que defendia as regras da App Store em tribunal e na imprensa, incluindo no litígio com a Epic Games.

Essa credibilidade de origem comercial não acompanha automaticamente o cargo. A equipa de Cue está construída para fazer crescer a receita de serviços, e a estrutura de comissões da App Store é a maior alavanca que controla.

Duas semanas antes, Bruxelas fixou o novo preço

A mudança de liderança chega 13 dias depois de a Apple ter publicado, a 18 de agosto de 2026, uma nova estrutura de comissões da UE em três níveis para a App Store, encerrando um litígio sobre o Digital Markets Act que já lhe tinha custado uma coima de 500 milhões de euros em 2025 por incumprimento. A nova estrutura substitui o anterior mosaico de encargos separados de aquisição, serviço de loja e processamento por uma única tabela.

Via de pagamento da App StoreTaxa padrãoTaxa com desconto
Compra dentro da app, faturação pela App Store26 por cento15 por cento
Processador de pagamento alternativo dentro da app20 por cento10 por cento
Distribuição pela web ou mercado alternativo5 por cento fixosem nível de desconto

Os programadores que escolhem uma via de pagamento devem manter-se nela durante 12 meses antes de poderem mudar, o que transforma a escolha entre estas três linhas numa decisão anual e não numa decisão por transação.

O que um editor de aplicações da UE deve observar

Qualquer futuro litígio sobre a forma como estes níveis se aplicam, sobre o que conta como programa de desconto válido, ou sobre onde fica a linha entre uma compra dentro da app e um redirecionamento para a web, passa agora por uma divisão cujo incentivo é defender a comissão, porque o gestor que antes se situava entre os programadores e os objetivos de receita da Apple já não está lá. A vinculação de 12 meses transforma uma leitura errada das regras num erro de um ano inteiro, não de uma única transação.

Os requisitos de notarização e revisão da Apple mantêm-se em vigor na nova estrutura seja qual for a via de pagamento escolhida, pelo que a mudança de comissão não reduz o encargo operacional da conformidade da App Store, apenas a taxa a ele associada.

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