O que fez a Hans Anders
A Hans Anders, uma das maiores cadeias de óticas dos Países Baixos, suspendeu a venda dos óculos inteligentes Ray-Ban da Meta nos Países Baixos e na Bélgica, noticiou a Reuters na sexta-feira, 2 de outubro de 2026. Um porta-voz disse ao jornal neerlandês AD que os óculos já não estão disponíveis nas lojas nem na loja em linha.
O NL Times refere que a suspensão não tem data de fim e que a empresa aponta para o debate público e político sobre óculos inteligentes e para as questões em aberto sobre as condições em que a tecnologia pode ser usada. Quer aguardar esse debate e eventuais medidas antes de decidir se e como volta a vendê-los.
A cadeia só vendia quantidades limitadas, disse o porta-voz, e os óculos custam pelo menos 419 euros no seu sítio. A perda comercial é por isso pequena e o que conta é o sinal: o retalhista preferiu ser visto a fazer uma pausa a vender no meio de uma discussão aberta sobre filmagens às escondidas.
Quem mais está a agir
A Hans Anders não é a única a reagir, e as reações vêm de atores muito diferentes.
| Ator | Medida | Estado segundo as notícias |
|---|---|---|
| Hans Anders | Pára a venda em loja e em linha, Países Baixos e Bélgica | Suspensa, sem data de fim |
| Hospitais neerlandeses e Ministério da Defesa | Medidas mais estritas sobre os óculos | Em aplicação |
| Câmara baixa neerlandesa | Quer uma proibição concreta | Pedido, sem lei noticiada |
| Organizações neerlandesas | Ameaçam a Meta com uma ação judicial | Apenas ameaça |
| SB 1130 da Califórnia | Teria proibido a gravação secreta em zonas privadas de estabelecimentos | Vetada a 30 de setembro |
O RetailDetail escreve que o retalhista responde a uma controvérsia crescente sobre privacidade, agora que hospitais neerlandeses e o Ministério da Defesa também aplicam medidas mais estritas. O NL Times acrescenta que organizações neerlandesas ameaçaram processar a Meta e que a câmara baixa quer proibir o que os críticos chamam óculos espiões.
Os óculos parecem normais e mostram uma luz na frente enquanto gravam, nota o NL Times, e a queixa é que facilitam filmar às escondidas. A Telecompaper noticia os mesmos apelos do parlamento e das ONG.
Porque foi a Califórnia por outro caminho
Na quarta-feira, 30 de setembro, o governador Gavin Newsom vetou a SB 1130 da Califórnia, que teria feito de contraordenação grave usar um dispositivo de gravação portátil para captar imagem ou som de alguém em zonas de um estabelecimento onde se espera privacidade, como provadores e consultórios médicos, segundo o Engadget. Teria também exigido um indicador de gravação e proibido a venda de tecnologia criada para o ocultar.
Newsom disse que a lei definia dispositivos de gravação portáteis de forma demasiado ampla, que podia abranger certos relógios inteligentes e outros dispositivos que se usam no corpo, e que a Califórnia já proíbe gravar onde as pessoas esperam privacidade. O TechCrunch nota que a lei teria feito da Califórnia o primeiro estado a regular óculos inteligentes e que a Meta vendeu mais de 7 milhões de óculos no ano passado.
As duas histórias só diferem à superfície. Na Califórnia a discussão foi como definir o dispositivo. Nos Países Baixos é onde e em que condições pode ser usado. Ambas deixam a decisão, dentro dos espaços, a quem os gere.
O que devem fazer os operadores da UE
Escreva uma política curta sobre óculos inteligentes para escritórios, clínicas, lojas, provadores e salas de reuniões antes que um incidente a imponha. Diga onde não são permitidos óculos com câmara, como se informam trabalhadores e visitantes e quem decide.
Trate a luz de gravação como cortesia e não como controlo. O NL Times diz que os óculos têm uma, mas a queixa é a filmagem às escondidas, e uma regra que depende de alguém reparar numa luz não resolve disputas. Pergunte ao seu encarregado de proteção de dados como encaixa a filmagem de trabalhadores e clientes nas suas próprias obrigações.
Se vende, aluga ou fornece estes dispositivos, conte que senhorios, clientes e parceiros peçam condições claras. A Hans Anders diz que reavaliará quando houver mais clareza, por isso acompanhe o parlamento neerlandês e a resposta da Meta, que falta nas notícias que analisámos.
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