Duas contas pela mesma promessa quebrada

A 21 de setembro de 2026, o portal smartphoneaisettlement.com abriu aos proprietários de iPhone nos Estados Unidos, cinco dias depois de o iOS 27 ter mudado em silêncio a frase da política de privacidade da Apple que até então excluía qualquer treino de IA com dados de clientes. Os dois acontecimentos remontam à mesma falha. A Apple prometeu em 2024 uma Siri pessoal, movida a Apple Intelligence, junto com o iPhone 15 Pro e a linha 16. Só foi entregue em junho de 2026, cerca de dois anos depois. O atraso originou uma ação coletiva por publicidade enganosa, agora resolvida por 250 milhões de dólares. Para terminar a Siri que finalmente chegou, a Apple pediu exatamente aquilo que, durante dois anos, disse que nunca tocaria: as próprias palavras dos utilizadores dirigidas à Siri.

O que mudouPromessa 2023-2024Realidade em setembro de 2026
Prazo da Siri personalizadaPrometida para o iPhone 15 Pro e a linha 16, 2024Entregue em junho de 2026, cerca de dois anos depois
Política de dados de treinoOs dados privados nunca treinam os modelos de IAÁudio e texto opcionais da Siri treinam agora os modelos, iOS 27, 14 de setembro de 2026
Consequência jurídicaNenhuma conhecidaAcordo de 250 milhões de dólares, pedidos até 21 de dezembro de 2026

A promessa que quebrou primeiro

A Apple anunciou a Siri redesenhada, movida a Apple Intelligence, para o iPhone 15 Pro, 15 Pro Max, 16, 16 Plus, 16 Pro, 16 Pro Max e 16e, comprados nos Estados Unidos entre 10 de junho de 2024 e 29 de março de 2025. A funcionalidade não cumpriu esse prazo, e seguiu-se uma ação coletiva alegando que a publicidade descrevia capacidades que os telemóveis ainda não tinham. A Apple nega qualquer falta, mas aceitou um acordo de 250 milhões de dólares em vez de ir a julgamento. O sítio aprovado pelo tribunal abriu a 21 de setembro de 2026 e permanece aberto até 21 de dezembro de 2026. Os proprietários elegíveis podem esperar cerca de 25 dólares cada, até 95 dólares (cerca de 88 euros) se derem entrada menos pedidos do que o previsto, com a aprovação final do tribunal marcada para 24 de fevereiro de 2027.

A promessa que quebrou em segundo lugar

A linguagem da Apple sobre o treino de IA costumava soar quase absoluta: os seus dados pessoais privados e as suas interações nunca são usados para treinar os nossos modelos de base. O iOS 27, lançado a 14 de setembro de 2026, acrescentou uma exceção: a menos que escolha explicitamente ajudar a melhorá-los. O novo ecrã de configuração da Siri AI oferece dois botões, Partilhar áudio e texto ou Agora não, e a Apple afirma que as gravações, transcrições e pedidos escritos partilhados não são associados a contas Apple individuais. O que mudou foi o método. A Apple já tinha construído uma ferramenta de privacidade diferencial precisamente para aprender com padrões de utilização sem precisar das palavras reais de ninguém, acrescentando ruído artificial que protegia os dados de cada pessoa. O iOS 27 pede agora as palavras reais.

Porque é que uma promessa explica a outra

Nenhuma fonte liga diretamente os dois anúncios, e a Apple não disse que o atraso da Siri é o motivo do novo interesse em dados de conversa reais. O calendário torna essa lacuna difícil de ignorar. Uma promessa de não precisar dos dados de um utilizador só se sustenta enquanto as técnicas existentes de uma empresa, no caso da Apple dados de treino sintéticos e com privacidade diferencial, acompanharem um plano de produto competitivo. A Siri personalizada atrasou-se quase dois anos em relação a esse plano, o suficiente para custar 250 milhões de dólares em vez de um julgamento. A pergunta opcional que chegou cinco dias antes de o sítio de pedidos abrir aponta para o porquê: as técnicas de treino antigas fixavam o teto de quão boa a Siri atrasada alguma vez poderia ser.

A lição para quem acredita numa promessa de não precisar dos seus dados

Trate qualquer promessa de um fornecedor de que não precisa dos seus dados como condicionada a que o plano de produto do fornecedor se mantenha firme. Pergunte o que acontece a essa promessa se o produto atrasar, porque a resposta aqui é que ela muda, através de um ecrã opcional que a maioria dos utilizadores fecha sem ler. Os leitores na União Europeia devem saber que a Siri personalizada continua sem chegar ali, pelo que a nova opção de treino rege, para já, uma funcionalidade que a maior parte da região ainda não pode usar, ainda que o texto da política se aplique assim que uma conta a ativar mais tarde. Ao abrigo do RGPD, a autoridade de controlo principal da Apple para este tipo de tratamento é a Comissão de Proteção de Dados da Irlanda; a CNPD portuguesa acompanharia queixas equivalentes através do comité europeu, e a primeira coisa que essa autoridade vai testar é se a escolha de participar aqui é realmente livre.