Um cancelamento que a Sony chamou difícil e a Kojima chamou súbito
A PlayStation Studios notificou a Kojima Productions, em meados de junho de 2026, da sua saída do PHYSINT, um jogo de ação e espionagem que as duas partes tinham anunciado em conjunto em janeiro de 2024 como sucessor espiritual da série Metal Gear Solid. Kojima declarou mais tarde que o aviso chegou sem qualquer antecedência, pondo fim a uma relação de trabalho com a Sony que durava há três décadas.
| Data | Acontecimento |
|---|---|
| Janeiro de 2024 | PHYSINT anunciado em conjunto com a PlayStation |
| Meados de junho de 2026 | A PlayStation comunica o cancelamento do projeto |
| 9 de setembro de 2026 | A Xbox anuncia que vai publicar o PHYSINT |
A própria declaração da Sony manteve a saída deliberadamente vaga: "Após cuidadosa ponderação, tomámos a difícil decisão de deixar de colaborar com a Kojima Productions no projeto PHYSINT", declarou a empresa, acrescentando que mantinha "grande admiração pela visão de Hideo Kojima" e que "a nossa relação continua sólida ao fim de três décadas". A declaração não mencionou qualquer valor financeiro nem qualquer prazo incumprido.
O motivo que a Sony não quis nomear
A Bloomberg noticiou o motivo real poucos dias depois de o cancelamento se tornar público: o PHYSINT já estava bem acima do orçamento previsto apesar de a edição ainda estar a anos de distância, e a PlayStation tinha-se tornado receosa quanto ao retorno comercial, dado o desempenho dos dois jogos anteriores da Kojima Productions, Death Stranding e Death Stranding 2, face aos próprios objetivos de receita da Sony.
Usar as vendas de um jogo para avaliar outro jogo de um género diferente é, em si, uma decisão discricionária, e a Sony não explicou porque é que o teto comercial de um simulador de entregas deveria prever o de um título de ação e espionagem. O que é verificável é a sequência: a Sony continuou a financiar o desenvolvimento do PHYSINT durante mais de dois anos após o anúncio de janeiro de 2024, antes de concluir, em junho de 2026, que o orçamento e a trajetória comercial que ela própria tinha deixado avançar já não eram aceitáveis.
A Xbox assumiu o risco que a Sony acabara de recusar
A Xbox Game Studios confirmou, a 9 de setembro, que iria publicar o PHYSINT, alargando o que a Xbox Wire chamou uma parceria alargada com a Kojima Productions ao cinema e à televisão, além dos jogos. A diretora executiva da Xbox, Asha Sharma, justificou o acordo pela reputação do estúdio, não pelas finanças: "A sua ambição de desafiar convenções reflete exatamente a criatividade que queremos apoiar na Xbox." Kojima afirmou que a equipa continuava "empenhada em redefinir o género de ação e espionagem para jogadores em todo o mundo."
Nenhuma das empresas revelou um valor de transferência, e nada em nenhuma das declarações sugere que o jogo tenha sido reiniciado, reduzido no âmbito ou reorçamentado antes de mudar de editora. Segundo o que é do domínio público, a Xbox assume assim o mesmo projeto, bem acima do orçamento e ainda a anos de distância do lançamento, que, segundo o próprio relato da Sony, se tinha tornado financeiramente inaceitável para a Sony três meses antes. Para um estúdio ou detentor de plataforma que avalia um parceiro a meio do desenvolvimento, o PHYSINT mostra uma opção real: uma saída pública que preserva a reputação pode transferir a exposição financeira por resolver de um projeto para quem aceitar assumi-lo a seguir, sem que nenhuma das partes chegue a atribuir um valor a essa exposição na sua declaração.
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