O Gabinete de Paxton Já Venceu a Meta Duas Vezes, com Quatro Anos de Intervalo
O procurador-geral do Texas, Ken Paxton, anunciou a 26 de agosto de 2026 que a Meta vai pagar ao estado pouco mais de 1 mil milhões de dólares e reconstruir várias das suas predefinições de segurança para adolescentes, encerrando um processo que acusava a empresa de conceber o Facebook e o Instagram para criar dependência em menores, ao mesmo tempo que recolhia dados de crianças com menos de 13 anos. "Este é um acordo histórico e uma grande vitória para a segurança das crianças do Texas", declarou Paxton ao anunciar o acordo. O dinheiro está destinado a serviços de saúde mental juvenil, programas de literacia digital e escolas.
As medidas leem-se como uma lista que qualquer regulador da UE reconheceria: um limite diário de duas horas para o uso combinado do Facebook e do Instagram em contas com menos de 18 anos, notificações desativadas por predefinição durante o horário escolar, a menos que um dos pais as reative, contagens de gostos e reações ocultas para menores, e um modo noturno que restringe o acesso e os alertas em certas horas. Nenhuma das notícias sobre o acordo do Texas descreve uma cláusula que permita afrouxar estas proteções caso um concorrente não faça o mesmo.
Esta não é a primeira vitória de Paxton contra a Meta, nem sequer a maior. Em 2024, na sequência de um processo que o Texas já tinha instaurado em fevereiro de 2022 ao abrigo da sua própria lei de privacidade biométrica, a Meta pagou ao estado 1,4 mil milhões de dólares por captar dados de reconhecimento facial sem consentimento, na altura o maior acordo alguma vez obtido por um único estado dos EUA junto de uma única empresa. Somando os dois, o Texas arrecadou sozinho mais de 2,4 mil milhões de dólares da Meta, cerca de 2,1 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual, sem alguma vez se ter juntado a um processo do qual outro estado também fosse parte.
Duas Vitórias de um Estado Contra uma Vitória de uma Coligação
Na mesma semana em que Paxton anunciou o seu acordo, a Meta concordou separadamente pagar até 17,1 mil milhões de dólares para resolver as reivindicações de outros 47 estados, um processo em curso desde 2023 que se encaminhava para um julgamento com júri na Califórnia, no qual Mark Zuckerberg deveria testemunhar antes de o acordo o interromper.
| Acordo | Valor | Partes | Ligado aos rivais |
|---|---|---|---|
| Texas, 2024 (dados biométricos) | 1,4 mil milhões de dólares | 1 estado | Não |
| Texas, 2026 (design viciante) | Pouco mais de 1 mil milhões de dólares | 1 estado | Não |
| Coligação de 47 estados, 2026 | Até 17,1 mil milhões de dólares | 47 estados | Sim, os restantes 30 por cento e o limite mais apertado de 1 hora dependem do TikTok e do YouTube igualarem a medida |
Esse acordo é real e é grande, mas contém um mecanismo que a versão do Texas não tem: a Meta paga 70 por cento do total, a menos que o TikTok e o YouTube também adotem limites equivalentes de uma hora para adolescentes, verificações de idade e os seus próprios modos noturnos, caso em que se seguem os restantes 30 por cento e o limite mais apertado de uma hora. É um desenho regulatório engenhoso quando o objetivo é mover uma indústria inteira de uma só vez, mas também significa que o número de destaque da coligação depende de três concorrentes fazerem algo a que nenhum deles ainda deu o seu acordo.
Quarenta e seis estados esperaram três anos, construíram um processo conjunto, e chegaram a um acordo cujo valor total depende do que Snap, TikTok e YouTube decidirem fazer a seguir. O Texas conduziu o seu próprio processo segundo a sua própria lei e garantiu dinheiro que já pode gastar hoje. Nenhum dos dois caminhos está errado, uma coligação de 47 procuradores-gerais consegue arrancar compromissos e cobrir custos legais que nenhum estado sozinho conseguiria suportar, e os seus 17,1 mil milhões de dólares ultrapassam largamente tudo o que o Texas negociou por conta própria. Mas essa escala comprou uma dependência que o caminho solitário nunca teve de aceitar.
A Mesma Bifurcação Está Presente em Todos os Processos do RGPD Abertos Este Ano
Qualquer autoridade europeia de proteção de dados que trate uma queixa contra a Meta já enfrenta uma versão exatamente da mesma escolha que o Texas e os outros 47 estados acabaram de fazer publicamente. O mecanismo de balcão único do RGPD, previsto no artigo 56, faz com que a Comissão de Proteção de Dados da Irlanda atue como autoridade líder da Meta em toda a UE, porque é ali que fica sediada a operação europeia da empresa, em coordenação com qualquer outro regulador nacional com interesse no resultado através do processo de coerência do Comité Europeu para a Proteção de Dados. Está construído exatamente para a situação em que se encontrava a coligação de 47 estados, alavancagem real pelos números, custo real em tempo e cedências.
A CNPD portuguesa continua, em qualquer processo contra a Meta, a ser apenas uma "autoridade interessada", não a líder, tal como acontece com qualquer outro regulador nacional fora da Irlanda. Quem tenha um caso genuinamente nacional, ou uma empresa com uma reivindicação suficientemente sólida para se aguentar sozinha, continua a ter a outra opção: avançar sozinho, segundo a sua própria lei, segundo o seu próprio calendário, e manter o resultado inteiramente nas suas próprias mãos para negociar. Para qualquer proprietário ou gestor que pondere juntar-se a um acordo coletivo, a uma queixa conjunta de contratação pública, ou a uma ação coletiva partilhada em vez de perseguir a sua própria reivindicação, o Texas acabou de fornecer o número real mais claro sobre o que vale o caminho solitário quando o próprio caso consegue sustentar-se: mais de 2,4 mil milhões de dólares, arrecadados duas vezes, sem depender do calendário de mais ninguém.
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